Luto
- 17 de jun. de 2024
- 3 min de leitura

Em nossa jornada pela vida, nos deparamos inevitavelmente com o luto. É uma experiência complexa e multifacetada que acompanha a perda de algo significativo, seja uma pessoa querida, um relacionamento, um emprego ou até mesmo a perda de uma parte de nós mesmos.
O luto é uma jornada caracterizada por uma série de emoções intensas e, por vezes, contraditórias. A tristeza profunda pode dar lugar à raiva, à culpa, ao desespero e até mesmo à sensação de alívio. Essas emoções podem parecer avassaladoras, e é importante que aqueles que estão enlutados entendam que é normal e saudável experimentá-las, sentindo-as por completo e sem julgamentos.
Os sentimentos e pensamentos se assemelham às nuvens no céu da nossa mente. Assim como o céu, que abriga uma variedade de nuvens em constante movimento, nossos pensamentos e sentimentos também estão em fluxo. Quando fixamos nossa atenção em uma nuvem específica, ela parece ocupar todo o espaço, enquanto as demais desaparecem de vista. Da mesma forma, ao concentrarmos nossa atenção em um sentimento ou pensamento específico, ele tende a crescer em importância e frequência. É crucial lembrar que, assim como as nuvens, os pensamentos e sentimentos são passageiros, de passagem no céu da nossa mente. Cabe a nós permitir que eles nos atravessem, deixando alguns dias ensolarados, e outros nublados, porém sempre em um fluxo constante.
A dimensão do sofrimento que pode ser vivenciado durante o luto é difícil de quantificar. Cada indivíduo vive esse processo de maneira única, influenciado por sua história pessoal, contexto cultural e apoio social. Alguns podem se sentir imersos em uma tristeza avassaladora, incapazes de encontrar consolo, enquanto outros podem parecer mais resilientes à primeira vista. No entanto, a intensidade do sofrimento não deve ser medida em termos de comparação; cada dor é legítima e merece ser respeitada. Não existe um jeito “ideal” de lidar com o luto, pois cada pessoa sente e se expressa de um jeito diferente, no seu próprio tempo.
Ao longo do luto, é comum observarmos a manifestação de diferentes fases. O modelo mais conhecido é o proposto por Kübler-Ross, que descreve cinco estágios: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. No entanto, é importante destacar que o luto não segue uma linha reta e previsível. As pessoas podem vivenciar esses estágios de maneira não linear, retrocedendo e avançando entre eles.
Além dos estágios tradicionais, há uma sexta fase que merece ser mencionada: a transformação ou crescimento. Neste estágio, os enlutados começam a encontrar significado na perda e a integrá-la em suas vidas, de maneira construtiva. É um processo de renascimento, onde a dor cede espaço para a aprendizagem, o crescimento pessoal e até mesmo a gratidão pelas lembranças compartilhadas.
O luto é, portanto, não apenas um fim, mas também um começo. É a despedida de algo que já se foi, mas também o início de uma nova jornada. A vida não para na presença da morte, ela continua, cresce ao redor daquilo que já não está mais presente fisicamente. A memória daqueles que perdemos se torna uma parte indelével de quem somos, moldando nossas escolhas, nossos relacionamentos e nossos valores.
Por fim, o luto nos lembra da preciosidade da vida e da fragilidade da existência. Nos ensina a valorizar cada momento, cada conexão e cada experiência como um presente efêmero. E, no íntimo da escuridão, descobrimos a luz que nos guiará adiante, rumo à renovação e à redescoberta do sentido da vida.
Como psicóloga, vejo minha função como um farol de esperança e apoio para aqueles que estão navegando pelas águas turbulentas do luto. Ofereço um espaço seguro para que possam expressar suas emoções, explorar suas crenças e encontrar significado em sua experiência. Através do processo terapêutico, podemos transformar a dor em crescimento, a tristeza em sabedoria e a perda em amor eterno.





